Acredito não ser exclusivo meu, mas acontece ficar sempre em mim
As memórias dos locais por onde passo, as boas e as menos boas
Um lugar que sempre lembro porque gostei, parecendo contraditório
O que dele ficou em mim, ou que de mim ficou nele
A Sala de Ambulatório. Serviço de Oncologia
Lembro o local como um jardim
Com flores de todas as cores, entre elas as rosas
A cor predominante era a amarela. Porquê essa cor gritante? Não sei...
Sei sim que as rosas rompiam por entre as grades do sofrimento
Embelezando a vida de quantos entravam no jardim
Nem de todos como constatei
Quando apuro os sentidos da memória lembro uma rosa
Com corpo de mulher que entrando no corredor do jardim
Vinha até mim e debruçando-se me perfumava
Hoje, embora nem tudo sejam flores
Continuo a admirar as rosas que povoam o meu caminho
São parte da minha vida, mesmo que o terreno tenha outras formas
É sobre os abismos que vão aparecendo que as rosas continuam a florir
A minha memória continua lá no local onde ressuscitei
Essas rosas da minha memória
Serão sempre o continuar de uma vida.
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