segunda-feira, 18 de maio de 2026

Das minhas memórias

 

 

Acredito não ser exclusivo meu, mas acontece ficar sempre em mim

As memórias dos locais por onde passo, as boas e as menos boas

Um lugar que sempre lembro porque gostei, parecendo contraditório

O que dele ficou em mim, ou que de mim ficou nele

A Sala de Ambulatório. Serviço de Oncologia

Lembro o local como um jardim

Com flores de todas as cores, entre elas as rosas

A cor predominante era a amarela. Porquê essa cor gritante? Não sei...

Sei sim que as rosas rompiam por entre as grades do sofrimento

Embelezando a vida de quantos entravam no jardim

Nem de todos como constatei

Quando apuro os sentidos da memória lembro uma rosa

Com corpo de mulher que entrando no corredor do jardim

Vinha até mim e debruçando-se me perfumava

Hoje, embora nem tudo sejam flores

Continuo a admirar as rosas que povoam o meu caminho

São parte da minha vida, mesmo que o terreno tenha outras formas

É sobre os abismos que vão aparecendo que as rosas continuam a florir

A minha memória continua lá no local onde ressuscitei

Essas rosas da minha memória

Serão sempre o continuar de uma vida.

 

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