Ainda não despontara a aurora, quando começou a Viagem.
Partiu ligeiro para o amanho da Terra.
Passou sem descanço pela Sementeira.
Dormiu decidido a erguer-se de madrugada para a Rega.
Algum tempo depois, viu germinar o que seria o doirado Grão.
Trabalhando sem temer a canseira, avança de Sacho na mão.
Cuidando constantemente, na espera do desejado Fruto.
Passou em consolação pela Colheita.
Caminhando sempre alegre, num Labor desgastante
Antes da altura de descanço para nova etapa.
Porque a Viagem
continua.
Depois de passar pela Eira, vai para o Celeiro
ou Espigueiro.
Pelo caminho fala ao Moleiro, levando o Cereal até
ao Moinho.
Onde será
triturado e transformado, com a força da Água
do Rio gemendo baixinho.
Continua com trabalho a longa viagem, agora com o Moleiro, essa nobre profissão.
Passa de Grão
a gostosa Farinha, condimento
essencial à alimentação.
Nas casas antigas ela era amassada, depois cozia no Forno bem quente.
Era a riqueza em casa do pobre, era a alegria da
nossa gente.
Eis que chegamos ao Pão, términus da viagem cansativa mas boa.
Na alegria de poder saborear, a sempre desejada Fornada da Broa.
José Álvaro Rocha