quarta-feira, 22 de abril de 2026

Viver na Luz

 

 

Se por Deus Foi escolhido

Sua Luz é minha estrada

Ser pobre não é defeito

Albergo um lugar no peito

Onde o amor faz morada.

 

Há luz que às vezes me deixa

Mas outra me vem iluminar

Feliz sou se a sinto

Porque a verdadeira Luz

Jamais se irá apagar.

 

Quando te não tenho imploro

Estar contigo transforma meu ser

Todos os dias desce a noite

Mas novo dia irá nascer.

 

Cada vez que o amor chamar

Ainda que custe avançar

Tomarei o meu caminho

Avançando sem vacilar

Há uma luz pra me guiar

Sou ave que encontrou ninho.

 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Beijo

 

 

Beijo na face pede-se e dá-se:

Dá?

Que custa um beijo?

Não tenha pejo: Vá!

Um beijo é culpa, que se desculpa:

Dá?

A borboleta beija a violeta: Vá!

Um beijo é graça, que a mais não passa:

Dá?

Teme que a tente? É inocente... Vá!

Guardo segredo, não tenha medo...

Vê?

Dê-me um beijinho, dê de mansinho,

Dê!

Como ele é doce! Como ele trouxe,

Flor,

Paz a meu seio! Saciar-me veio,

Amor!

Saciar-me? louco... um é tão pouco,

Flor!

Deixa, concede, que eu mate a sede,

Amor!

Talvez te leve, o vento em breve,

Flor!

A vida foge, a vida é hoje,

Amor!

Guardo segredo, não tenhas medo

Pois!

Um mais na face, e a mais não passe!

Dois...

quinta-feira, 16 de abril de 2026

A luta continua

 

 

Na tempestade não perdi o caminho

Em dias de temporal contínuo

Sempre me aguentei

Sem alforge nem sandálias

Mas de firme esperança nunca descalço.

Empunhando o bastão da fé

As ravinas são vales frondosos

Seguro no cajado do amor

O deserto se torna aconchego.

Viver feliz mesmo sofrendo

Por nunca me saber só

É loucura saudável nesta viagem

Que me permite viajar sem capa

A capa do coitadinho

Do doente estigmatizado.

Esse traje nunca vesti

Por muito oferecido que fosse.

Nunca escondi o meu rosto

No jejum sempre sorri

Sozinho nunca vencerei a guerra

Com ajuda esta batalha ganhei

Para outras que forem surgindo

Estamos aí.

E como disse há anos atrás

Não… ainda não morri.

 

 

 

 

segunda-feira, 13 de abril de 2026

A viagem até ser pão

 

Ainda não despontara a aurora, quando começou a Viagem.

Partiu ligeiro para o amanho da Terra.

Passou sem descanço pela Sementeira.

Dormiu decidido a erguer-se de madrugada para a Rega.

Algum tempo depois, viu germinar o que seria o doirado Grão.

Trabalhando sem temer a canseira, avança de Sacho na mão.

Cuidando constantemente, na espera do desejado Fruto.

Passou em consolação pela Colheita.

Caminhando sempre alegre, num Labor desgastante

Antes da altura de descanço para nova etapa.

Porque a Viagem continua.

Depois de passar pela Eira, vai para o Celeiro ou Espigueiro.

Pelo caminho fala ao Moleiro, levando o Cereal até ao Moinho.

Onde  será triturado e transformado, com a força da Água do Rio gemendo baixinho.

Continua com trabalho a longa viagem, agora com o Moleiro, essa nobre profissão.

Passa de Grão a gostosa Farinha, condimento essencial à alimentação.

Nas casas antigas ela era amassada, depois cozia no Forno bem quente.

Era a riqueza em casa do pobre, era a alegria da nossa gente.

Eis que chegamos ao Pão, términus da viagem cansativa mas boa.

Na alegria de poder saborear, a sempre desejada Fornada da Broa.                                                                   

 

José Álvaro Rocha

domingo, 12 de abril de 2026

Ter tempo para falar com ele

 

 

Sentei-me à esquina do tempo tentado a falar-lhe se me desse tempo

Devo ter dormitado no tempo da demorada espera

Passou por mim e nem o senti

Será que já regressou?

Bati inutilmente à porta do tempo

Esperei, mas ninguém me responde

Como o poderei encontrar?

Foi-me dito que ele só fala com quem lhe dá valor

Com quem sabe conviver com ele e não o despreza

Se me desse a oportunidade de me retratar

Enquanto espero vou avaliando o que dele perdi

Recuperando hoje o desperdício do passado

Por não saber o que ele me reserva futuramente

O que sempre valorizei no tempo

É ele não fazer aceção naquilo que concede

Todos o temos por igual embora haja quem diga não o ter

Uns simplesmente passam por ele

Outros gastam-no ignobilmente

Havendo também quem o respeite sabendo aproveitá-lo

Aquele que o perde nunca mais o encontra

Vou sentar-me à porta dele

Até ele me apanhar na esquina e dizer não ter tempo para mim

Quando ele esteve sempre aí e eu não o parei.

 

 

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Piripire no seu... para mim é refresco

 

 

Problemas todos temos

Só os meus têm solução

Qualquer sabe resolvê-los

Sem eu pedir opinião

 

Sabes… devias fazer assim

Porque não vais a tal lado?

Isso resolvia eu bem

O meu sim que é complicado

 

Não esmoreças tem confiança

Não te deixes abater

Eu sim ando muito mal

A minha vida nem queiras saber

 

Dizem… tem fé que Deus é grande

Ele sabe os problemas teus

Pena é nos deles dizerem

Que mal fiz eu a Deus

 

Anima-te mesmo sofrendo

Tem paciência que é o melhor

Tu até podes morrer

Mas eu estou muito pior.

 

 

 

 

 

 

 

terça-feira, 7 de abril de 2026

Emigração

 

 

Solidão e Esquecimento são países de acolhimento.

Porque a emigração vai estando constantemente na ordem do dia, atrevo-me a falar dela sem ter qualquer experiência, pois nunca tive o espirito de emigrante nem a coragem de quem emigra, por isso faço uma vénia e tenho muito respeito por aqueles que necessitam de o fazer.

Não sei se é do conhecimento geral, mas sei de pessoas que são emigrantes sem sair do país, e mesmo não saindo de casa.

Há dois países que os recebem e tomam conta deles sem precisarem de passaporte ou visto de entrada.

Um é o País chamado “Solidão”, outro o “Esquecimento”. Entram nesses países á força, e ficam por lá até serem esquecidos por completo.

Só saem desses países de acolhimento para emigrarem para o além, para uma outra Vida. Aí até são chorados, não sei dizer se será motivado pela perda do emigramte, se pelo rebate de consciência (remorso) por ter estado exilado tanto tempo nesses dois países de acolhimento, a “Solidão” e o “Esquecimento”.

Esta emigração também eu contesto, não por motivos de politiquice, mas pela solidariedade que estes emigrantes me merecem.

 

 

 

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Quem ama sempre ganha

 

 

Cheguei, vi, mas não venci

Mesmo assim não esmoreci.

 

Combati, pelejei, mas não ganhei

Mesmo assim sempre lutei.

 

Com pertinácia persistente

A inércia se combate

Se a força for interior

Nenhuma arma me abate.

 

Entrei no jogo a perder

O florir da sorte a não ver

Mas não me assumo perdedor

Revendo as jogadas na mesa

Guardo os dados na certeza

Que ganha sempre o amor.