quinta-feira, 19 de março de 2026

Ao Pai

 

 

Agradeço e peço para todos

Para aqueles

Que como eu, o são

Para todos os que foram

E agora não…

Os contrastes.

O maravilhoso dom

Não de progenitores

Pais por vocação

De cabeça e coração

Os amados

Estimados

Reconhecidos e nunca abandonados

Novos e mais idosos

Ricos na doação

Os que legam aos filhos

A herança do amor

O valor da dedicação.

Obrigado, Pai

Pela graça de o poder ser.

 

Desanove de março.

 

 

Nada mais simbólico

Dia de S. José, dia do pai.

Quem é pai um vez no ano

Se calhar é pai por engano.

O pai que se quer verdadeiro

É pai a tempo inteiro.

Entre pai e progenitor

Salta a palavra amor.

Palavra igual a sentimento

Porque o pai não se dilui no tempo.

Feliz de quem um pai pode ter

Felicidade tem

Quem pai sabe ser.

Pais precisam-se.

Todo aquele que pai é

Faz de todos os dias

O dia do Pai

O dia de S. José.

 

terça-feira, 17 de março de 2026

Que bom ser feliz

 

Conheço gente tão infeliz, e tão pobre tão pobre, que só tem dinheiro

As pessoas felizes nem sempre estão felizes
Mas ser é diferente de estar e não é porque não estão felizes que deixam de ser felizes
As pessoas felizes sabem que a tristeza é uma espécie de chuva

Não dura sempre e limpa o pó dos caminhos
Depois da chuva, o sol brilha mais
As pessoas felizes cuidam da sua vida e, ajudam os outros , sem se meter na vida deles
Mesmo que tivessem tempo, não iriam desperdiçá-lo com coisas que não lhes dizem respeito
As pessoas felizes respeitam-se
As pessoas felizes têm vida própria, por isso não precisam da vida alheia
As pessoas felizes são aquelas que conhecem e sentem na pele as dificuldades da vida

Mas que reconhecem facilmente todas as coisas maravilhosas que a vida guarda para elas
As pessoas felizes gostam de repartir com os outros essas coisas maravilhosas que a vida lhes oferece
A felicidade dividida por todos nunca divide, une
A felicidade dividida nunca faz com que ninguém tenha menos, mas todos mais
As pessoas felizes podem não ter muito dinheiro, mas nunca são pobres
Ter pouco dinheiro não significa ser menos
Pobres são as pessoas que se julgam mais
As pessoas felizes são as mais ricas como pessoas
Ser mais como pessoa é a maior riqueza a que podemos aspirar
As pessoas felizes irradiam luz
As pessoas felizes não se apagam.

domingo, 15 de março de 2026

Uma "casa" Chamada Família

 

 

A família é uma casa grande e acolhedora onde mora o amor

A família é o estar em casa

Nessa casa em que nos amam como somos

Onde encontramos sempre a porta e os braços abertos

É a nossa primeira casa e a última

Mesmo que a nossa morada mude ao longo dos anos

É uma casa com alicerces sólidos

Alicerces é o nome que se dá às raízes das casas

Fundações que se agarram à terra que será sempre a nossa

Porque podemos deixar a nossa terra mas ela nunca nos deixa a nós

Por isso resiste às tempestades

Não deixa desmoronar o carinho nem as traves que nos seguram à vida

É uma casa onde podemos receber pessoas vindas de outras casas

Porque a família sabe encontrar forma de crescer e de renovar o amor

A família são os laços de ternura

Não são só os graus de parentesco

São os níveis de amor

A família é o nome que damos a quem nos quer bem e a quem nós queremos bem

É o permanecer no coração

Não há melhor lugar para morar

E mesmo aqueles que partem

Ficam sempre nessa casa

Na família.

 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Amor que contagia

 

 

 

Bom dia, amor

Abriste os olhos

Sorriste

Brilhou o sol.

 

Ergueste teu corpo

Disseste bom dia

Cantaram os pássaros.

 

Pisaste o chão

Olhaste o céu

As flores se abriram.

 

Iniciaste as lides

Árduo trabalho

Amor feito vida.

 

segunda-feira, 9 de março de 2026

Às mulheres que o são

 

Para ti mulher que nasceste para amar

Que choras em silêncio para ninguém notar

Que ris com teu rosto porque ris de coração

Que do esforço do trabalho fazes doação

Podes ser menina, esposa, mãe ou avó

Que fazes da vida uma alegria só

Que sente sofrimento quando não compreendida

Mas que avança firme mesmo ferida

Que em tua vida trabalhas a dobrar

Num serviço aos outros como forma de amar

Mãe da humanidade no dom que te é dado

Renovando o mundo por cada filho gerado

Todos os dias mereces respeito

Mas celebro esta data como um grande feito

Harmoniosa flor que em jardim bem cuidado

Embelezas a vida a quem te mereça a seu lado

Dou graças a Deus por cada mulher

Que está neste mundo e o sabe “Ser”.

 

 

 

 

quarta-feira, 4 de março de 2026

Vida parada

 

 

Pensei em falar-te

Mas emudeci

Pensava ver-te

Mas não te vi

Recebi o convite

E recusei

O caminho era em frente

Mas eu recuei

A porta ficou aberta

Eu não entrei

Tu és a vida

Escolhi morrer

És salvação

Prefiro sofrer

Marquei encontro

Não compareci

Estagnei

Fiquei por aqui.

 

 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Consumir antes de...

 

 

Tudo que nasce morre

Qualquer produto tem termo de validade     

Alguns mais que outros

A embalagem pode ser boa à vista

O produto ter condições admissíveis

Mas a data condiciona a circulação

Aos bens de consumo fora de prazo… lixo

Tanta gente a catar o lixo

Ansiosa na procura daquilo que caducou

O “respigador”

Àqueles que dentro das normas atiram fora

Ele agradece e mete para dentro do saco

Da casa

Do “buxo”

Para dentro da sua vida dura

Que dura graças a uma data caducada.

 

Todos temos prazo de validade

Mas o que conta é o estado do produto

E o que fazemos enquanto cá estamos.

Eu vou espreitando os rótulos

Mas não distingo a data-limite.

 

 

 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Enevitavelmente

 

 

Todos nascemos para viver um tempo

E depois...

Eu acredito que depois de partirmos, nascermos para uma outra vida sem limite

Não é fácil deixar para trás aquilo que se ama

Não é fácil seguir em frente quando não podemos levar connosco as coisas e os lugares que amamos

A não ser aquilo que fica nos bolsos da memória

Custa muito ficar quando perdemos de vista aquilo que o coração nunca deixa de ver

É como se a alma ficasse presa em pregos e arames invisíveis

E desses rasgões resultassem as malhas caídas que tentamos apanhar com a esperança de voltar a um novo começo

As despedidas são assim

Ir embora querendo ficar

Ficar não querendo ver partir aquilo que se ama

Mesmo sabendo que este é o caminho feito, sem nunca chegar a sair

O destino é assim também

Prega-nos uma partida e nós sem querer partir, vemos a partida do outro Não querendo, mas tendo de assistir à sua partida

Pertencemos ao que não possuímos

É assim.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Tempo de Outono

 

 

Folha que danças no vento

Que sobes ao firmamento

Vem a meus braços, ensina-me a dançar.

 

Da-me um pouco da tua pureza

Agiliza-me com tua leveza

Para como tu poder voar.

 

Se pousas em chão revoltado

Por esse outono agreste e molhado

Que enregela o desejo, alojado em meu coração.

 

Ao ver-te  penso folha vencida

Noutras folhas que já sem vida

Dormem e morrem no frio chão.

 

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Hoje quero falar de folhas

 

 

Das folhas de todas as cores, que pintam o chão no Outono

Folhas que deixam as àrvores despidas de suas cores

Àrvores cuja madeira é tranformada para fazer outras folhas

Folhas de papel que por mim são utilizadas

Sem nunca questionar a sua origem

Que risco e rabisco sem nunca parar

Folhas que são as páginas dos livros que leio

Folhas que depois de usadas deixo de lado

E só nelas pego quando penso na sua reutilização

Folhas que merecem de mim mais carinho

Para crescerem na minha consideração

Porque as há firmes em consistência e de belo recorte

Algumas grandes e fortes, outras pequenas e frágeis

Havendo quem bem manuseie as folhas nas suas mãos hábeis

Fazendo que as folhas lidas remexam a imaginação

Folhas que não conhecia mas hoje sei que as há

Folhas medicinais que nos fazem bem

As belas e poéticas “Folhas de Chá”.

 

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Fragilidades

 

 

Assim é o amor

Frágil

Como criança recém-nascida

Deve ser cuidado com carinho

Esmero

Leveza no tocar

Sem arranhar para não ferir

Bem alimentar para crescer

Florir

Entrega sem cobrança

Dar-se por inteiro

Na necessidade ser primeiro

Dar a mão

Na fragilidade não vista

Ao primeiro olhar

Na doença que não se nota

Só a vê quem a toca

Quem reconhece quem sofre

Quem vive a fragilidade da doença

O que bem trata porque é cuidador

Lida com um ser frágil

Sofre com o sofrimento

Com a dor

Com a fragilidade

Porque assim é o amor.

 

 

 

 

                                                                                                                          (Dia mundial do doente)

 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

A Viagem

 

 

Na estação da vida, aguardo o comboio do tempo.

É hora de iniciar nova viagem.

Despeço-me de tudo que para trás ficou e, de braços abertos, receberei o que há-de vir.

Na mala, levo comigo tudo aquilo que consegui guardar.

Levo risos de alegria e lágrimas de tristeza.

Levo gargalhadas soltas, levo palavras contidas.

Levo pedaços de vida.

Levo pedaços de sonhos, ainda por realizar.

E quando o meu destino alcançar, iniciarei nova caminhada.

Novos horizontes se abrirão.

Novas caras chegarão

Novos sorrisos, novas lágrimas…

Possivelmente, olharei para trás e contemplarei tudo o que deixei.

Tudo o que aprendi, tudo o que vivi…

O que amei e desamei, também aquilo que deixei de amar.

Porque a roda do tempo não pára e a vida deve seguir o seu rumo, por isso, não me despeço nem digo adeus, deixo simplesmente um até já.

Quem sabe se um dia, num desses apeadeiros da vida, de novo te venha a encontrar…

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Constatação

 

 

Frutos já há muito se não veem

A resistência vai reduzindo

As folhas caíram com o vento

Os ramos partidos

O tronco carcomido

Que esperar senão a queda

O abate

Para combustível ao fogo

Tudo tem seu fim

Mas mete dó só de olhar

O que foste e aquilo que és

Já foste viçosa e forte

Eras o prazer de quem buscava tua sombra

O asilo da passarada

A proteção para as mais frágeis que te rodeavam

A imponência numa paternidade exercida

Porque tudo tem o seu fim

E tu como árvore estás nesse caminho

Até o vento quando te toca parece rezar por ti

Estou em crer que as tuas raízes

Por certo não resistirão

A um próximo temporal.

 

 

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A vida por um fio

 

 

4 de Fevereiro Dia mundial do cancro
(por ser o dia que é) 

 

Ouvi há dias uma expressão que me deixou a pensar sobre a sua veracidade. “A vida ganha outra perspectiva e dimensão, quando sentimos que a temos presa por um fio”.

Depois de pensar sobre o assunto, algumas dúvidas me assaltaram.

Haverá só alguns que vivem nessa situação, ou seremos todos nós, aqueles que ainda vivemos?

Haverá diferença na sustentabilidade e resistência do fio que nos prende à vida?

Será que até nesta situação existe diferença rico – pobre, fraco – poderoso?

Não creio, por isso insisto com algumas questões.

Quem está mais firme no fio que o prende à vida, eu que faço tratamento com o intuito de vencer um cancro, ou o jovem robusto e saudável que perde a vida num qualquer acidente de viação?

Quem vive mais sustentável, um velhinho enfermo ou um atleta que morre em competição?

Não é de hoje que adquiri a consciência que viver é um risco permanente, e que sei ser ténue o fio que me prende à vida, mas é nessa certeza que vivo, mas com muita confiança em quem sustém esse fio que me segura.

Não é um qualquer fio. Sei que não é um daqueles usados no manuseamento de marionetas. O fio que me liga à vida, liga-me também a outras coisas importantes e de muito valor que eu não dispenso.

Esse fio dá-me a liberdade para estar na vida e vivê-la, se fosse um grosso cabo, daqueles que usam os que pensam ter bem agarrada a sua vida, porventura não teria tanto espaço para me movimentar na vida que quero viver. Claro que tendo a vida presa por um fio, vou ter muito mais cuidado com as “tesouras” que de mim se aproximam.

 

Ps.  Para que conste:

O cerco à fragilidade continua.

 

 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A cada instante

 

 

Preciso pousar o fardo

Baixar a tensão

Descansar a mente

Repousar o corpo

Desanuviar atritos

Assentar ideias

Coordenar movimentos

Acalmar o grito

Tranquilizar o espírito

Sossegar desejos

Refrear impulsos

Travar a oralidade

Apaziguar refregas

Extinguir ruídos

Para viver em paz.

 

 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Vigiar

 

 

Quando penso em vigia

Nunca lembro o dia

Só a noite vem à ideia

Num mundo de portas fechadas

De janelas aferrolhadas

É o medo tecendo a teia.

 

O alarme accionado

O espaço todo vedado

A vigilância a cargo de outrem

Porque neste momento

A certeza do meu pensamento

É que não entra ninguém.

 

Mas há sempre aquele ladrão

Que não pede autorização

E a toda a hora salta

Mesmo com a porta fechada

Tendo a janela vedada

Pela parede mais alta.

 

Entra sem pedir licença

Nem sequer precisa de avença

Vindo do sul ou do norte

Quando menos se esperar

Ele acaba por entrar

O ladrão vestido de morte.

 

 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Descarrilamento

 

O comboio partiu da gare à hora marcada.

Tinha sido revisto tudo o que era necessário, para que a viagem pudesse acontecer sem percalços, ou tivesse de ser interrompida, além das paragens que estavam previstas.

Tem início a viagem, com os passageiros a bordo, comodamente sentados, perspectivando um bom percurso até o destino desejado.

Mas como em tudo na vida, por muita esperança que se tenha, e a alegria seja em dose excelente, há sempre acidentes que acontecem, e nesta viagem embora não tenha acontecido uma catástrofe, nem sequer fosse declarada calamidade pública o descarrilamento aconteceu. Felizmente não houve feridos graves, embora tivessem acontecido traumatismos cranianos porque muitos passageiros bateram com a cabeça, houve algumas feridas expostas e escoriações, porque ainda hoje as cicatrizes são visíveis. As composições não sofreram todas de descarrilamento, algumas nem sequer saíram da “linha”, mas todos os passageiros sofreram com o abalo, aliás a notícia da imprensa foi:

-Descarrilamento do comboio, e não a discriminação das composições que saíram da “linha”. Ainda não se sabe seguramente se houve erro humano, (frenesim exagerado do maquinista) pela velocidade imprimida, algo que se meteu na engrenagem, deficiência nos carris ou nas traves que os suportam, o certo é que o acidente aconteceu.

Do maquinista ainda não foi divulgado o seu estado de saúde, mas teme-se não seja dos melhores, e só com o tempo se saberá se ficará marcado por sequelas.

Já foi enviada por o local uma potente grua que pesa toneladas. A base é composta de persistência, a coluna vertical de alegria, e o braço extensivo é feito de amor, com o intuito de devolver as composições danificadas à via-férrea, para pôr de novo o comboio em andamento.

Dizem testemunhas que por certo houve ali mão de Deus, porque depois de se saber a gravidade do acidente, as consequenciais do descarrilamento podiam ser fatais.

Ainda bem que o comboio voltou a circular. Se este descarrilamento fosse numa família ou na comunidade, o que poderia acontecer?

 

domingo, 25 de janeiro de 2026

O que não quero querendo

 

 

Não quero, mas quero

Não quero roupa, quero agasalho

Não quero relógios, quero tempo

Não quero telemóveis, quero ligações

Não quero chocolates, quero doçura

Nas palavras e nos gestos.

Não quero lâmpadas, quero luz

Brilho no olhar.

Não quero desembrulhar prendas, quero desapertar o coração.

Quero risos

Não quero pressa, o amor leva tempo.

Não quero cadeiras, quero lugares

Há sempre lugar para quem nos quer bem

Não quero conversa, quero diálogo.

Não quero embrulhos, quero abraços

Muitos

Não quero encomendas, quero entrega

Não quero lembranças, quero memórias

Não quero que seja uma noite, quero que seja uma vida

Não quero uma vida qualquer

Quero uma…

“Vida Vivida”.

 

sábado, 24 de janeiro de 2026

Cercas

 

Prisioneiro nas grilhetas por mim forjadas

Na escuridão das trevas que teimo em criar

Ao aperto do coração por decisões tomadas

No caminho não feito por não avançar

Fossos e valas são separação

Que se enroscam na alma prisioneira

Torturam e ferem pela distância

Tolhendo a vida razão primeira

De coração algemado no aperto do peito

Num labirinto de paredes por escalar

Encerro-me em clausura abafando o grito

Duma revolta que faz por ficar

Se derrubar os muros por mim erigidos

As barreiras que impedem um bom viver

Vou firmando raízes no solo que sou

Na resistência à tempestade que faz doer

Mas hei-de soltar-me mesmo em ferida

Abrir as portadas para a luz entrar

Respirar fundo oxigenar a vida

Despir-me das lamúrias e continuar.

 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Construção

 

 

Nem ventos nem tempestades

Derrubam o meu querer

Nem chuvas torrenciais

Me fazem retroceder

 

Na noite fico gelado

Se me deixo dormir ao relento

Mais gela quem fica parado

Tolhido sem movimento

 

Sendo firme no caminhar

Avanço a todo o instante

Não sei ainda quando parar

Mas tenho um guia constante

 

Viver a construir

É norma de quem trabalha

Quem não constrói no amor

Vive a vida como calha

 

O alicerce é a base

De toda a construção

Há pilares na nossa vida

Que são suportes de união

 

Com a casa edificada

Mantê-la é condição

Abrir as janelas ao mundo

E as portas do coração.

 

 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Foi bom, mas já foi

 

 

O Natal vem sempre não há engano

Mas passa depressa

E demora mais um ano

Se  mal vivi o acontecimento ele cessa

O Natal é mais um caso de tempo perdido

Não deixando de ser o espelho do ano vivido.

Fazer de conta é sempre fingir

Dizer que sim, mas não querer ir

Ou então faltar para não mentir

Se marca presença logo vai fugir.

Para quê forçar se não sente nada

Nada faz sentido numa impostura pegada

De contradição numa ceia forçada

Como fica a família nesta caldeirada.

O que era alegria é hoje obrigação

O que era encontro é agora encontrão

Para haver a festa bastava união

Cada vez faz mais frio no que foi comunhão.

Será que custa ser honesto e leal

Conseguir discernir quando causo mal

Ganhar consciência do mundo real

E fazer da família a essência do Natal.

O calor da fogueira não dá para aquecer

Enquanto o coração de gelo permanecer

Um Natal sem amor mais vale esquecer

Até conseguir deixar Jesus nascer.

 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

A música do amor

 

 

O amor também se toca

Até se pode dançar

Fora eu melhor executante

Melhor saberia amar

 

Amar como bom músico

Tocar a música do amor

Sentir sua vibração

Nas cordas do coração

 

Ter teclas no pensamento

Ser dueto em sinfonia

O solo não é para todos

Ter suave enleamento

 

Num amor sempre musicado

Alegre andamento

Amor bailado

Por um par a compasso

Dançando num estreito abraço

 

Quando o amor se envolve

Em melodia que dissolve

A dureza duma vida

Quando o amor é bem tocado

Há música que nunca finda.

 

 

 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

A dor de quem fica

 

 

Quem parte deixa saudade

Quem fica sente a partida

Todos perdemos quem amamos

São contingências da vida.

Palavras de pouco valem

Quando sangra o coração

O tempo nem sempre cura

Mas é ajuda na compreensão.

Sentir o abraço amigo

Alivia a dor sentida

Por vezes a dor robustece

E faz-nos fortes na vida.

Andando neste caminho

Sujeitos à dor e sofrimento

Deve o amor que nos rodeia

Ser remédio e nosso alento.

Não deixemos morrer a esperança

Porque aqueles que amamos

Já estão num caminho diferente

Caminho que todos calcamos.

Quem parte deixa saudade

Quem fica que reze aos céus

Pode ser consolo na despedida

Quando a viagem é para Deus.

 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Ainda tenho vida com metas

 

 

Sempre

Mais curtas talvez

Quanto maiores mais falíveis

Já faltam pernas

Coração e pulmão

Delinear metas plausíveis

Ter presente as capacidades

Despertar em cada dia e sentir a vida

Olhar o espelho e sorrir

Agradecer a meta atingida

Projetar as horas seguintes

Com muitas ganas, mas sem certezas

Se for preciso parar para restabelecer

Faça-se a paragem

Mas nunca por acomodação

Assim as metas serão cumpridas

Sem nunca serem compridas.

 

 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A Paz que se precisa

 

 

A gente precisa de paz,

De amor, de humildade

De carinho e bondade

Desejo-nos um feliz ano novo

A gente precisa de amor,

De silêncio e beleza

Justiça, de igualdade

Desejo-nos um feliz ano novo

Mais um ano que passa

Sempre o mesmo cenário

Por vezes sem graça

A gente se diz que este ano

Pode ser que seja a boa

Tudo vai mudar

Outra vez migrantes afogados

Na Praia das crianças mortas

O mar, seus reflexos

Vamos torcer para o ano que vem

Vamos lá banhar-nos

A gente precisa de paz,

De amor de humildade

De carinho e bondade

Desejo-nos um feliz ano novo

Em cima dos aviões de caça

Em qualquer parte dos drones que atingiram

O céu, as suas estrelas,

A gente se diz que no ano que vem

Será para sonhar

Em todo lugar de cabeças inclinadas

Todos nos seus ecrãs postos

Podemos ter esperança

Se disser-mos que para o ano

Nos vamos falar

A gente precisa de paz,

De amor de humildade

De carinho e bondade

Desejo-nos um feliz ano novo

A gente precisa de amor,

De silêncio e beleza

Justiça, de igualdade

Desejo-nos, desejo-nos

Um bom ano.