domingo, 8 de fevereiro de 2026

Constatação

 

 

Frutos já há muito se não veem

A resistência vai reduzindo

As folhas caíram com o vento

Os ramos partidos

O tronco carcomido

Que esperar senão a queda

O abate

Para combustível ao fogo

Tudo tem seu fim

Mas mete dó só de olhar

O que foste e aquilo que és

Já foste viçosa e forte

Eras o prazer de quem buscava tua sombra

O asilo da passarada

A proteção para as mais frágeis que te rodeavam

A imponência numa paternidade exercida

Porque tudo tem o seu fim

E tu como árvore estás nesse caminho

Até o vento quando te toca parece rezar por ti

Estou em crer que as tuas raízes

Por certo não resistirão

A um próximo temporal.

 

 

 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

A vida por um fio

 

 

4 de Fevereiro Dia mundial do cancro
(por ser o dia que é) 

 

Ouvi há dias uma expressão que me deixou a pensar sobre a sua veracidade. “A vida ganha outra perspectiva e dimensão, quando sentimos que a temos presa por um fio”.

Depois de pensar sobre o assunto, algumas dúvidas me assaltaram.

Haverá só alguns que vivem nessa situação, ou seremos todos nós, aqueles que ainda vivemos?

Haverá diferença na sustentabilidade e resistência do fio que nos prende à vida?

Será que até nesta situação existe diferença rico – pobre, fraco – poderoso?

Não creio, por isso insisto com algumas questões.

Quem está mais firme no fio que o prende à vida, eu que faço tratamento com o intuito de vencer um cancro, ou o jovem robusto e saudável que perde a vida num qualquer acidente de viação?

Quem vive mais sustentável, um velhinho enfermo ou um atleta que morre em competição?

Não é de hoje que adquiri a consciência que viver é um risco permanente, e que sei ser ténue o fio que me prende à vida, mas é nessa certeza que vivo, mas com muita confiança em quem sustém esse fio que me segura.

Não é um qualquer fio. Sei que não é um daqueles usados no manuseamento de marionetas. O fio que me liga à vida, liga-me também a outras coisas importantes e de muito valor que eu não dispenso.

Esse fio dá-me a liberdade para estar na vida e vivê-la, se fosse um grosso cabo, daqueles que usam os que pensam ter bem agarrada a sua vida, porventura não teria tanto espaço para me movimentar na vida que quero viver. Claro que tendo a vida presa por um fio, vou ter muito mais cuidado com as “tesouras” que de mim se aproximam.

 

Ps.  Para que conste:

O cerco à fragilidade continua.

 

 

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

A cada instante

 

 

Preciso pousar o fardo

Baixar a tensão

Descansar a mente

Repousar o corpo

Desanuviar atritos

Assentar ideias

Coordenar movimentos

Acalmar o grito

Tranquilizar o espírito

Sossegar desejos

Refrear impulsos

Travar a oralidade

Apaziguar refregas

Extinguir ruídos

Para viver em paz.