4 de Fevereiro Dia mundial do cancro
Ouvi há dias uma expressão
que me deixou a pensar sobre a sua veracidade. “A vida ganha outra perspectiva e dimensão, quando sentimos que a
temos presa por um fio”.
Depois de pensar sobre o
assunto, algumas dúvidas me assaltaram.
Haverá só alguns que vivem
nessa situação, ou seremos todos nós, aqueles que ainda vivemos?
Haverá diferença na
sustentabilidade e resistência do fio que nos prende à vida?
Será que até nesta situação
existe diferença rico – pobre, fraco – poderoso?
Não creio, por isso insisto
com algumas questões.
Quem está mais firme no fio
que o prende à vida, eu que faço tratamento com o intuito de vencer um cancro,
ou o jovem robusto e saudável que perde a vida num qualquer acidente de viação?
Quem vive mais sustentável,
um velhinho enfermo ou um atleta que morre em competição?
Não é de hoje que adquiri a
consciência que viver é um risco permanente, e que sei ser ténue o fio que me
prende à vida, mas é nessa certeza que vivo, mas com muita confiança em quem
sustém esse fio que me segura.
Não é um qualquer fio. Sei
que não é um daqueles usados no manuseamento de marionetas. O fio que me liga à
vida, liga-me também a outras coisas importantes e de muito valor que eu não
dispenso.
Esse fio dá-me a liberdade
para estar na vida e vivê-la, se fosse um grosso cabo, daqueles que usam os que
pensam ter bem agarrada a sua vida, porventura não teria tanto espaço para me
movimentar na vida que quero viver. Claro que tendo a vida presa por um fio,
vou ter muito mais cuidado com as “tesouras” que de mim se aproximam.
Ps. Para que conste:
O cerco à fragilidade
continua.