Alguma coisa terá que se fazer da vida, nem que seja só vivê-la
O que já não será pouco, menos será não merecê-la
Viver é como quem corre atrás do bem que se quer muito
É coragem, é audácia
Viver é construir, viver é fecundar
Viver contra as adversidades é viver em cheio, é ter vida cheia
Cheia de problemas mas de alegrias e vitórias também
Porque a pressão que me fazem aqueles que deviam estar comigo
É o oxigénio para a minha corrente sanguínea
É a armadura que me permite ir à luta, e lutar em todas as frentes
É aí que vejo que a minha pequenez confunde os grandes gigantes que se propõem a sufocarem-me
É aí que eu vejo, «que quando me sinto fraco é que sou forte»
Porque ficam sempre do meu lado outros anões que se agigantam
Quando vêm em meu auxílio, e eu não prescindo da sua presença
«O Senhor é minha luz e salvação aquém temerei?
O Senhor é o protector da minha vida de quem hei-de ter medo?»
Se quero fazer alguma coisa da vida não preciso falar muito
O silêncio é de prata, e silêncio precisa-se
Por isso preciso de me calar mais, de ver melhor e calar
Calar principalmente quando o que digo é nada
Calar quando só faço barulho
Calar quando não tenho razão e saber calar quando a tenho
Calar quando estou calado, porque por vezes só com o olhar eu falo
É preciso calar quando falo alto
E falar sem medo se o que digo concorre para o bem de todos
Calar para ouvir quem devo
Calar para ouvir melhor
Calar e aceitar o que Deus quer de mim e aquilo que me quer dar
Calar para melhor servir
Fazer sem falar
Falar calado
Calar para dizer bem
Silêncio precisa-se
Precisa-se também de homens e mulheres com coragem para o fazer
Porque, “alguma coisa terá de se fazer da vida.”